sábado, 4 de dezembro de 2010

Meninos Perdidos

Este mundo, tal qual conhecemos, está, mais do que nunca, perdendo o sentido e as razões das convivências sócias. Sinceramente, acredito que esteja perdendo o sentido da própria razão de vida, apesar de não sabermos qual o sentido desta, mas acredito piamente que não há mais valores pudicos nesta sociedade ignroante e cega.
Bastardos, verdadeiros bastardos do bom senso humano, são os nascidos no final da década de 80 (há exceções, mas grande parte dos nascidos próximo aos anos 90 são os mais desprovidos desse bom senso).
Geração sem sentido, sem valores culturais e humanos, que não possuem um ideal altruísta ou revolucionário em prol de um bem social maior, que enxerga somente em seu ego a satisfação pessoal, não possuem nenhum pensamento de coletividade, ou melhor ainda, de irmandade, digo ainda mais, de humanidade.
Não acreditam nos valores tradicionais ou na própria essência natural, desprezam a família, valorizam os bate-papos boêmios de amigos (e olhe lá, pois estas amizades não são as mesmas como antigamente) que estão pouco se lixando pra você. Podem até dizer que se preocupam com o mundo ao redor, mas não reagem, até o momento que a situação desconfortante atinja o seu universo pessoal. Não são merecedores da condição de seres humanos.
Talvez todo esse individualismo seja oriundo de tantos tempos passados, porém, pelo menos, era, de certa forma, contido, pois existia o receio do repúdio social àqueles que se voltassem contra as pessoas de sua família em prol de amizades.
Senhoras e senhores, a confiança de um ser humano em outro era algo natural, e, hoje, tornou-se um objetivo subjetivista de valor inestimável, e, diga-se de passagem, inatingível, pois, mesmo que alguém confie piamente em outrem, estes, todavia, não sejam conhecedores do valor da confiança, da reciprocidade no convívio entre pessoas, e não se importam com os que se importam com eles. E é assim que vejo a geração referida acima. Provavelmente sejam  assim devido à fugacidade, ou melhor, fungibilidade das relações pessoais, decorrentes das influências das mídias ou redes virtuais sociais. Por exemplo, hoje, se se sabe de algum segredo sobre alguém, e esse acaba vazando, sendo divulgado "involuntariamente", o responsável dificilmente se sentirá culpado ou mal por ter rompido um elo de confiança, pois ele ganhou pontos (temporários e inexpressivos) com os demais conviventes (virtuais ou reais).
Esta geração está perdida, pois não é uma geração onde vemos os amigos trocando palavrões entre si (quanto aos homens), como nas gerações anteriores (refiro-me em relação à geração dos anos 80-86, pois as anteriores, acredito, os valores de amizades realmente eram demonstrados por palavras de dignidade humana), quando tais expressões representavam uma maneira “carinhosa” (ou verdadeiramente amigável) de expressar uma estima pela outra pessoa, mas reprimida pela vergonha de expressar seus sentimentos e considerações por um vínculo amistoso.
As gerações recentes não sabem (talvez por não terem recebido a educação adequada) ou se esqueceram de que a família é a base da sociedade e de sua preparação para o mundo, para a convivência social, de sua formação como gente.
Os pseudo-estudiosos dos ramos jurídico e psicológico deram tantas forças aos “direitos humanos” (objeto de manobra para justificar atitudes repudiantes) e tantas prerrogativas aos comportamentos e liberdades psicológicas do indivíduo, que chegaram a superlativizar os egos, e se esqueceram das funções e deveres destes indivíduos para com a sociedade e do respeito, confiança e fidelidade (natural, já nascida no ser humano) às suas respectivas famílias.

terça-feira, 27 de abril de 2010

A praia

Sentado em frente ao mar
Sentindo no rosto o vento
Este lugar
Naquele momento

O vento em que escrevi a estória
No meu cabelo esvoaçante
Leva embora a memória
De um instante

O mar vem me contar
Que as pegadas apagadas
Ainda estão a me esperar
À areia apegadas

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Internet é ameaça a espécies raras, alertam conservacionistas!

Fonte: http://verde.br.msn.com/artigo-bbc.aspx?cp-documentid=23697865


A internet está se tornando uma das maiores ameaças às espécies de animais em perigo, alertaram conservacionistas no encontro da Convenção Internacional de Comércio de Espécies em Perigo (Cites), da ONU, em Doha, no Catar.
Segundo ativistas, graças à internet nunca foi tão fácil comercializar qualquer coisa - desde filhotes de leão a peles de urso polar - em sites de leilões e salas de conversa na internet.
Várias propostas para restringir o comércio de espécies em perigo foram derrotadas durante o encontro da Cites, que reúne 175 países.
Ainda nesta semana, os representantes dos países vão votar mudanças no comércio do marfim.
Efeito da rede
Cientistas afirmam que a internet está tornando o comércio internacional ilegal de espécies protegidas mais fácil do que nunca, disse a enviada especial da BBC ao encontro de Doha Stephanie Hancock.
Milhares de espécies em perigo são comercializadas regularmente pela internet, com compradores e vendedores tirando vantagem do anonimato da rede e do grande mercado global que ela oferece.
"A internet está se tornando o fator dominante no comércio global das espécies em perigo", disse Paul Todd, do Fundo Internacional para o Bem-estar Animal, segundo a agência de notícias Associated Press.
Ativistas e responsáveis por monitorar o comércio ilegal afirmam que é quase impossível estimar o tamanho do problema, mas afirmam que tudo - desde bebês de leões até vinho feito com ossos de tigres - já foram comercializados online.
Eles afirmam que os Estados Unidos são o maior mercado, mas que Europa, China, Rússia e Austrália também desempenham importante papel.
Os cientistas que tentam obter maior proteção para as espécies em perigo já sofreram algumas decepções em Doha, afirma Hancock.
No domingo, delegados votaram por proibir totalmente o comércio internacional de um raro tipo de salamandra pintada, encontrada apenas no Irã, que segundo o WWF, Fundo Mundial para a Vida Selvagem, foi devastada pelo comércio na internet.
Mas outras tentativas de proibir o comércio de ursos polares, atum-rabilho e raros corais fracassaram no encontro em Doha.
Uma proposta dos Estados Unidos e da Suécia para regular o comércio dos corais rosa e vermelho - usados na fabricação de caras joias e amplamente vendidos na internet - foi derrotada.
Os delegados derrubaram a proposta alegando preocupação com os efeitos dos restritivos regulamentos sobre comunidades pesqueiras pobres.

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segunda-feira, 29 de março de 2010

Aos desbravadores ...

O brilhante Fernando Pessoa sintetizou em suas palavras os anseios do homem quanto ao desejo de desvendar o desconhecido, quando este lançavam-se ao mar. Nobres desbravadores!

HORIZONTE (Fernando Pessoa)

O mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
'Splendia sobre as naus da iniciação.

Linha severa da longínqua costa —
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em árvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, há aves, flores,
Onde era só, de longe a abstrata linha

O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esp'rança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte —
Os beijos merecidos da Verdade.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Igualdade Social

Nada contra nem a favor de determinada classe social ou sexual, mas, em questão de tratamento de pessoas perante à legislação brasileira, principalmente, à Constituição Federal, é óbvio que deve se observar a primazia do Princípio da Igualdade.

Neste diapasão, a Ilustre Advogada e Doutrinadora Maria Berenice Dias:

Justiça não se curva à omissão do legislador

Não adianta. O legislador insiste em não assumir o seu compromisso maior, que é o de editar leis que atendam à realidade da vida. Tal omissão afeta principalmente todos aqueles que são alvo da exclusão social. Como vivem situação de vulnerabilidade, são os que mais merecem especial tutela do sistema jurídico.

O exemplo mais flagrante diz com as maiores vítimas do preconceito e discriminação: a população LGBT. A resistência do Congresso Nacional em aprovar leis que garantam direitos às pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis não pode significar que elas não possuem direito algum. Não. O silêncio tem caráter punitivo. O legislador incorpora o papel de guardião de uma moral conservadora e condena à invisibilidade tudo o que foge ao modelo convencional. Esta atitude é histórica. Foi o que ocorreu com a dissolução do matrimônio e com o reconhecimento da união estável.

Na tentativa de manter o casamento indissolúvel, foram necessários 27 anos para ser aprovado o divórcio, e 70 anos para as uniões extramatrimoniais serem reconhecidas como entidade familiar. Ainda assim, essas mudanças só ocorreram depois de a jurisprudência driblar as restrições impostas ao concubinato, criando a figura do companheiro. Em face da indissolubilidade do vínculo conjugal foram atribuídos efeitos à separação de fato. Do mesmo modo, diante do limitado conceito da família, aflorou toda uma nova concepção de estrutura familiar focada no vínculo da afetividade.

Claro que não poderia ser diferente com as uniões homoafetivas. É severo o calvário para quem só quer assumir deveres e ver reconhecidos alguns direitos. Mas, apesar de focos de resistência, vêm se consolidando conquistas nas diversas justiças, instâncias e tribunais de todos os estados. Não só a justiça estadual, também a justiça federal assegura direitos no âmbito do direito das famílias, direitos sucessórios, previdenciários e trabalhistas. As decisões contam-se às centenas.[1]

Como são as manifestações dos tribunais superiores que balizam o entendimento das demais instâncias, cabe lembrar os avanços que já ocorreram. Data do ano de 1998 a primeira decisão do Superior Tribunal de Justiça que, afirmando a existência de sociedade de fato, assegurou ao parceiro homossexual a metade do patrimônio adquirido pelo esforço comum.[2] Ainda que estabelecida a competência das varas cíveis,[3] a Corte vem admitindo a partilha de bens a depender de prova da mútua colaboração.[4].

O Superior Tribunal Eleitoral, ao estender a inelegibilidade da parceira do mesmo sexo, atestou a existência de uma união estável homossexual.[5] Mais recentemente, o STJ reconheceu a possibilidade jurídica da ação declaratória de união homoafetiva, sob o fundamento de que não existe vedação legal para o prosseguimento do feito. Afirma o ministro Antônio de Pádua Ribeiro que os dispositivos legais limitam-se a estabelecer a possibilidade de união estável entre homem e mulher, dês que preencham as condições impostas pela lei, quais sejam, convivência pública, duradoura e contínua, sem, contudo, proibir a união entre dois homens ou duas mulheres. Ponderou o Relator: Poderia o legislador, caso desejasse, utilizar expressão restritiva, de modo a impedir que a união entre pessoas de idêntico sexo ficasse definitivamente excluída da abrangência legal. Contudo, assim não procedeu. É possível, portanto, que o magistrado de primeiro grau entenda existir lacuna legislativa, uma vez que a matéria, conquanto derive de situação fática conhecida de todos, ainda não foi expressamente regulada. E conclui: Ao julgador é vedado eximir-se de prestar jurisdição sob o argumento de ausência de previsão legal. Admite-se, se for o caso, a integração mediante o uso da analogia, a fim de alcançar casos não expressamente contemplados, mas cuja essência coincida com outros tratados pelo legislador. [6]

E, falando da postura do STJ frente à população LGBT, não há como deixar de citar o reconhecimento de direito dos transexuais à alteração do nome e identidade de gênero[7], inclusive homologando sentenças estrangeiras que autorizaram a redesignação sexual em países outros.[8]

Mas é no âmbito do direito previdenciário que se multiplicam as decisões, principalmente da Justiça federal. O tema chegou no STJ no ano de 2005, que admitiu a inclusão do companheiro como dependente em plano de assistência médica reconhecendo que a relação homoafetiva gera direitos analogicamente à união estável. Disse o Min. Humberto Gomes de Barros que o homossexual não é cidadão de segunda categoria. A opção ou condição sexual não diminui direitos e, muito menos, a dignidade da pessoa humana.[9]

Em outro julgamento, o mesmo relator, ao reafirmar a existência do direito à inclusão no plano assistencial ressalta: A questão a ser resolvida resume-se em saber se os integrantes de relação homossexual estável têm direito à inclusão em plano de saúde de um dos parceiros. É grande a celeuma em torno da regulamentação da relação homoafetiva (neologismo cunhado com brilhantismo pela e. Desembargadora Maria Berenice Dias do TJ-RS). Nada em nosso ordenamento jurídico disciplina os direitos oriundos dessa relação tão corriqueira e notória nos dias de hoje. A realidade e até a ficção (novelas, filmes, etc) nos mostram, todos os dias, a evidência desse fato social. Há projetos de lei, que não andam, emperrados em arraigadas tradições culturais.

A construção pretoriana, aos poucos, supre o vazio legal: após longas batalhas, os tribunais, aos poucos proclamam os efeitos práticos da relação homoafetiva. Apesar de tímido, já se percebe algum avanço no reconhecimento dos direitos advindos da relação homossexual.[10]

A pensão por morte ao companheiro de relacionamento homoafetivo também já foi concedida pelo STJ, reconhecendo, inclusive, a legitimidade do Ministério Público para intervir no processo em que ocorre reivindicação de pessoa, em prol de tratamento igualitário quanto a direitos fundamentais. Disse o Min. Hélio Quaglia Barbosa: O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático de direito e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. Eis o fundamento da decisão: Por ser a pensão por morte um benefício previdenciário, que visa suprir as necessidades básicas dos dependentes do segurado, no sentido de lhes assegurar a subsistência, há que interpretar os respectivos preceitos partindo da própria Carta Política de 1988 que, assim estabeleceu, em comando específico: ‘Art. 201 - Os planos de previdência social, mediante contribuição, atenderão, nos termos da lei, a: [...] V - pensão por morte de segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou companheiro e dependentes, obedecido o disposto no § 2 º. Não houve, pois, de parte do constituinte, exclusão dos relacionamentos homoafetivos, com vista à produção de efeitos no campo do direito previdenciário, configurando-se mera lacuna, que deverá ser preenchida a partir de outras fontes do direito.[11]

Agora, mais uma vez, o STJ reafirma: os que vivem em uniões de afeto com pessoas do mesmo sexo estão enquadrados no rol dos dependentes preferenciais dos segurados, no regime geral, bem como dos participantes, no regime complementar de previdência, em igualdade de condições com todos os demais beneficiários em situações análogas. A ministra Fátima Nancy Andrigui, ressaltou que a união afetiva constituída entre pessoas de mesmo sexo não pode ser ignorada em uma sociedade com estruturas de convívio familiar cada vez mais complexas, para se evitar que, por conta do preconceito, sejam suprimidos direitos fundamentais das pessoas envolvidas.

Segundo a relatora, enquanto a lei civil permanecer inerte, as novas estruturas de convívio que batem às portas dos tribunais devem ter sua tutela jurisdicional prestada com base nas leis existentes e nos parâmetros humanitários que norteiam não só o direito constitucional, mas a maioria dos ordenamentos jurídicos existentes no mundo. Diante da lacuna da lei que envolve o caso em questão, a aplicação da analogia é perfeitamente aceitável para alavancar como entidade familiar as uniões de afeto entre pessoas do mesmo sexo. Se por força do artigo 16 da Lei n. 8.213/91, a necessária dependência econômica para a concessão da pensão por morte entre companheiros de união estável é presumida, também o é no caso de companheiros do mesmo sexo, diante do emprego da analogia que se estabeleceu entre essas duas entidades familiares.[12]

Ao depois, cabe lembrar que o INSS, em decorrência de decisão judicial, estabeleceu os procedimentos a serem adotados para a concessão de benefícios previdenciários ao companheiro homossexual em sede administrativa.[13] Deste modo, escancaradamente afronta ao princípio da igualdade não assegurar o mesmo direito aos homossexuais em se tratando de previdência privada. De todo descabido conceder direitos aos empregados celetistas e excluir os mesmos direitos de quem é segurado por entidades previdenciárias estatais ou federais.

A partir do balizamento levado a efeito pelo Superior Tribunal de Justiça, que tem a seu encargo impor respeito à legislação infraconstitucional, perde significado o irresponsável silêncio do legislador. Nenhum juiz mais pode alegar inexistência de lei e se furtar de cumprir com a sua obrigação de assegurar direitos a quem está condenado à invisibilidade por absoluta inércia legislativa. Toda a caminhada que prioriza o direito à individualidade necessariamente impõe à eliminação das diferenças, única forma de atingir o tão almejado respeito à dignidade humana.

Afinal, a Justiça precisa cumprir com sua missão de assegurar a todos o direito à felicidade.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Breve pausa ...

Gostaria de informar aos nossos leitores que o blog MENTE LATENTE irá realizar uma pequena pausa de duas semanas, mas, em março, voltaremos com novos temas a serem discutidos ou refletidos, bem como outras produções "literárias".
Agradeço a todos que visitam este blog que, aos poucos, abrange mais leitores ou pensadores que compartilham idéias e sentimentos semelhantes.

Parceria

Gostaria de compartilhar com todos um novo blog que vai dar o que falar, quanto a matérias de games e informática (dentre outras coisas). É o blog "Recanto dos desocupados" criado pelo "Thevilman" (vulgo Artur Castiel).
O blog ainda está passando por algumas adaptações, quanto ao "layout", mas vale a pena conferir. Segue abaixo o link:
http://www.thevilman.blogspot.com

Terra à vista ...

Caros leitores, em duas semanas irei, finalmente, conhecer a "Terra da Garoa". Sim, conhecerei São Paulo, e estou muito ansioso por esta experiência a ser vivida, e em seguida haverá um "post" sobre essa fantástica cidade.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Das ladeiras de Olinda ...

"Oh, linda paisagem!" exclamou, em 1537, Duarte Coelho, primeiro donatário da Capitania Hereditária de Pernambuco, ao se deparar com a vista de cima dos morros, diante do mar, dando origem, tal expressão, ao nome de uma localidade atualmente conhecida como a cidade de Olinda, situada em Pernambuco.
Conhecida, mundialmente, como patrimônio histórico da humanidade, esta cidade, localizada a 7 Km da capital Recife, pôde demonstrar, este ano, a linda festa carnavalesca ocorrida nestes últimos quatro dias, constituída por um elemento que faz a diferença perante os carnavais do Brasil: uma energia (do povo) contagiante.
Talvez seja o carnaval olindense uma festa mais humana que o próprio Natal (e por que não democrática, visto que, para ser folião do Carnaval de Olinda, basta a roupa do corpo) ou tanto quanto esta, desconsiderando, obviamente, os motivos religiosos da última. Diz-se humanidade em sentido estrito, todos pelas ruas e ladeiras envolvidos por um único sentimento ou sensação, valorizando o contato interpessoal, o que chamamos de "calor humano". Não só o "calor humano", mas também a sensação de união entre as pessoas (de todo o país e outros países também): todos voltados a uma única atração, um evento, ou comovidos por um momento, e, por um momento, a sensação de "uniformidade" (diz-se assim da pacificidade e alegria entre as pessoas) transmite a todos a sensação de conforto e a (utópica) percepção de uma sociedade boa, pacífica, saudável etc.
Ao passo que, no Natal, as pessoas trocam presentes e votos de "Feliz Natal" com seus familiares e amigos (ou, no máximo, com um vizinho ou um estranho que se encontra no elevador), no carnaval olindense, as pessoas compartilham todos a mesma felicidade, talvez até uma felicidade por descobrirem que o estranho ao seu lado é tão humano quanto você, que ambos podem ser felizes dividindo o mesmo espaço sem desconfiança, inveja ou qualquer tipo de concorrência.
Vale ressaltar, quanto ao comentário acima exposto sobre bastar apenas ter a roupa do corpo para ser um folião em Olinda, que não é necessário pagar uma fortuna por um abadá (ou pela segurança, que, por sinal, foi bem prestada pelo governo estadual de Pernambuco), para se sentir envolvido numa festa contagiante, na qual todos se divertem igualmente e são conduzidos por uma sensação de bem-estar incomparável.
Sim, podemos ser humanos e exteriorizar esta nossa humanidade, e acredito que um dia seremos capazes de assim agir não somente em datas festivas, mas cotidianamente, de modo que arrancaremos dos egos alheios exclamações como: "Oh, linda sociedade!".

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Realidade ou Ficção

Texto do blog Teoria da Conspiração (http://www.deldebbio.com.br/index.php/2010/01/29/realidade-ou-ficcao):

Se a vida é ilusão para o hinduísmo, para o budismo, e desta forma os mestres herméticos o afirmam, o que será então a realidade? E, igualmente, o que será esta ficção? Se o homem é estrangeiro nesta terra, e como tal vive ao começar um trabalho interno alheio aos outros, qual é o critério de “verdade” ou “mentira”? Que soleira sutil se transpassa entre uma forma de ver e a outra? Pois, embora o que se considere mais estranho no homem contemporâneo (do qual somos ainda parte) é sua maneira de se aferrar e se identificar com as coisas, aqueles que se permitem esta atitude interna ou extraterrestre são considerados igualmente estranhos para o meio. Ao se abrir uma porta e dar um passo à frente, as coisas estarão banhadas de uma outra luz e de um outro conteúdo. Se fecharmos essa porta e dermos um passo para trás, essas mesmas coisas aparecerão familiares em seu nível rasante e cotidiano. Realidade ou ficção? Permitir-se ver é algo castigado pela sociedade que não aspira a estes projetos. Do mais íntimo do coração alguém se pergunta quem tem razão. Mas será a razão o instrumento adequado, ou a ferramenta que nos permitirá elucidar estas experiências pessoais? Ou será que simplesmente a experiência justificaria toda nossa ação?

Diante desta intrigante indagação, tecemos alguns comentários:

Todos nós, os seres humanos, estamos no mesmo nível plano, e é intríseco à nossa natureza tipificarmos as coisas ou circunstâncias cotidianas como "certo ou errado", "verdadeiro ou falso", "real ou ficto" ... pois estas rotulações provêm de uma natural necessidade de organização, para os que convivem em sociedade (a interação pessoal propriamente dita), ou esta "rotulação" pode ser fruto, até mesmo, de objetivos de manipulação intelectual (ou social), quando um grupo deseja que determinadas pessoas (ou toda uma sociedade) sigam determinada tendência.
Por outro lado, partindo de um prisma romântico, podemos dizer que essa discussão sobre o "verdadeiro ou falso", "real ou ficto" etc, é, simplesmente, um fruto da naturalidade humana de indagar as questões da vida que estão muito além da capacidade cognitiva do homem, levando-o às reflexões, que, algumas vezes, partem de pressupostos baseados em costumes enraizados na sua própria naturalidade de ser (ou seja, simplesmente, na sua essência). Assim, não há "realidade ou ficção" propriamente ditos, ou melhor, talvez, até haja, mas não somos nós - meros seres racionalistas movidos,às vezes, emocionalmente, nas criações de nossas concepções - que podemos definir, até mesmo, por que não dispomos de um fundamento concreto e irrefutável que possa embasar a posição tomada por cada um de nós quanto ao tema em discussão.
Portanto, provavelmente, a razão pode até ser o instrumento adequado para elucidar essas experiências pessoais, pois, como a própria expressão afirma, são "pessoais", assim, aquelas (as experiências pessoais) podem ser elucidadas de acordo com sua respectiva "racionalidade". Por outro lado, se o que se tentou indagar foi a possibilidade de se elucidar, criando uma condensação, uma resposta universal, como uma lei matématica, para tais experiências, isso será impossível à cognição humana (como já dito), e, então, somente a experiência justificaria toda nossa ação!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Carta de Peloponeso


Sangue e Feridas
Marcas da última Batalha
Motivada por uma ideologia seguida
Sem algum sentido que a pena valha

As flechas proporcionam uma dor infernal
Paradoxalmente agonizantes
Ao frio na pele do incisivo metal
Às ações das espadas pérfuro-cortantes

Os inimigos correm desesperadamente
Os deuses aliaram-se a mim esta noite
Aqueles não crêem no que vêem
Estes orgulham-se

Hades às margens de rubros rios
Entoando cântigos de satisfação
Ao barqueiro das almas
Recebe pobres condenados ao eterno sombrio

Hermes surge
Erguendo-me pela mão
Traz-me uma mensagem
Em forma de canção

Não é hora de parar
Não se pode dar ao luxo de falhar
A esperança encontra-se no Amor
Que crê em ti onde fores

Sobrevivas e receberás a recompensa
Espera por ti a donzela e seus acalantos
Que amenizarão tua dor imensa
E afagarão os teus prantos

A Vida e a Morte
Duas irmãs em conflito
Dançam entre os fracos e os Fortes
Do seu par imortalizam-no como um mito

A Espada e o Escudo
Prolongamentos dos membros
Isso é o que sobrou de tudo
A sobrevivência é o meu legado

Retorno ao lar ao cair da noite
Caminho sorrateiramente em meio às penumbras
Criadas pelas copas das árvores pomposas
Decorrentes de um luar que deslumbra

Saborearei a polpa da mais suculenta fruta
Sentirei o perfume da rosa a deflorar
Acalantando meus instintos
Acolhendo minh'alma