sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Realidade ou Ficção

Texto do blog Teoria da Conspiração (http://www.deldebbio.com.br/index.php/2010/01/29/realidade-ou-ficcao):

Se a vida é ilusão para o hinduísmo, para o budismo, e desta forma os mestres herméticos o afirmam, o que será então a realidade? E, igualmente, o que será esta ficção? Se o homem é estrangeiro nesta terra, e como tal vive ao começar um trabalho interno alheio aos outros, qual é o critério de “verdade” ou “mentira”? Que soleira sutil se transpassa entre uma forma de ver e a outra? Pois, embora o que se considere mais estranho no homem contemporâneo (do qual somos ainda parte) é sua maneira de se aferrar e se identificar com as coisas, aqueles que se permitem esta atitude interna ou extraterrestre são considerados igualmente estranhos para o meio. Ao se abrir uma porta e dar um passo à frente, as coisas estarão banhadas de uma outra luz e de um outro conteúdo. Se fecharmos essa porta e dermos um passo para trás, essas mesmas coisas aparecerão familiares em seu nível rasante e cotidiano. Realidade ou ficção? Permitir-se ver é algo castigado pela sociedade que não aspira a estes projetos. Do mais íntimo do coração alguém se pergunta quem tem razão. Mas será a razão o instrumento adequado, ou a ferramenta que nos permitirá elucidar estas experiências pessoais? Ou será que simplesmente a experiência justificaria toda nossa ação?

Diante desta intrigante indagação, tecemos alguns comentários:

Todos nós, os seres humanos, estamos no mesmo nível plano, e é intríseco à nossa natureza tipificarmos as coisas ou circunstâncias cotidianas como "certo ou errado", "verdadeiro ou falso", "real ou ficto" ... pois estas rotulações provêm de uma natural necessidade de organização, para os que convivem em sociedade (a interação pessoal propriamente dita), ou esta "rotulação" pode ser fruto, até mesmo, de objetivos de manipulação intelectual (ou social), quando um grupo deseja que determinadas pessoas (ou toda uma sociedade) sigam determinada tendência.
Por outro lado, partindo de um prisma romântico, podemos dizer que essa discussão sobre o "verdadeiro ou falso", "real ou ficto" etc, é, simplesmente, um fruto da naturalidade humana de indagar as questões da vida que estão muito além da capacidade cognitiva do homem, levando-o às reflexões, que, algumas vezes, partem de pressupostos baseados em costumes enraizados na sua própria naturalidade de ser (ou seja, simplesmente, na sua essência). Assim, não há "realidade ou ficção" propriamente ditos, ou melhor, talvez, até haja, mas não somos nós - meros seres racionalistas movidos,às vezes, emocionalmente, nas criações de nossas concepções - que podemos definir, até mesmo, por que não dispomos de um fundamento concreto e irrefutável que possa embasar a posição tomada por cada um de nós quanto ao tema em discussão.
Portanto, provavelmente, a razão pode até ser o instrumento adequado para elucidar essas experiências pessoais, pois, como a própria expressão afirma, são "pessoais", assim, aquelas (as experiências pessoais) podem ser elucidadas de acordo com sua respectiva "racionalidade". Por outro lado, se o que se tentou indagar foi a possibilidade de se elucidar, criando uma condensação, uma resposta universal, como uma lei matématica, para tais experiências, isso será impossível à cognição humana (como já dito), e, então, somente a experiência justificaria toda nossa ação!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Carta de Peloponeso


Sangue e Feridas
Marcas da última Batalha
Motivada por uma ideologia seguida
Sem algum sentido que a pena valha

As flechas proporcionam uma dor infernal
Paradoxalmente agonizantes
Ao frio na pele do incisivo metal
Às ações das espadas pérfuro-cortantes

Os inimigos correm desesperadamente
Os deuses aliaram-se a mim esta noite
Aqueles não crêem no que vêem
Estes orgulham-se

Hades às margens de rubros rios
Entoando cântigos de satisfação
Ao barqueiro das almas
Recebe pobres condenados ao eterno sombrio

Hermes surge
Erguendo-me pela mão
Traz-me uma mensagem
Em forma de canção

Não é hora de parar
Não se pode dar ao luxo de falhar
A esperança encontra-se no Amor
Que crê em ti onde fores

Sobrevivas e receberás a recompensa
Espera por ti a donzela e seus acalantos
Que amenizarão tua dor imensa
E afagarão os teus prantos

A Vida e a Morte
Duas irmãs em conflito
Dançam entre os fracos e os Fortes
Do seu par imortalizam-no como um mito

A Espada e o Escudo
Prolongamentos dos membros
Isso é o que sobrou de tudo
A sobrevivência é o meu legado

Retorno ao lar ao cair da noite
Caminho sorrateiramente em meio às penumbras
Criadas pelas copas das árvores pomposas
Decorrentes de um luar que deslumbra

Saborearei a polpa da mais suculenta fruta
Sentirei o perfume da rosa a deflorar
Acalantando meus instintos
Acolhendo minh'alma