quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Das ladeiras de Olinda ...

"Oh, linda paisagem!" exclamou, em 1537, Duarte Coelho, primeiro donatário da Capitania Hereditária de Pernambuco, ao se deparar com a vista de cima dos morros, diante do mar, dando origem, tal expressão, ao nome de uma localidade atualmente conhecida como a cidade de Olinda, situada em Pernambuco.
Conhecida, mundialmente, como patrimônio histórico da humanidade, esta cidade, localizada a 7 Km da capital Recife, pôde demonstrar, este ano, a linda festa carnavalesca ocorrida nestes últimos quatro dias, constituída por um elemento que faz a diferença perante os carnavais do Brasil: uma energia (do povo) contagiante.
Talvez seja o carnaval olindense uma festa mais humana que o próprio Natal (e por que não democrática, visto que, para ser folião do Carnaval de Olinda, basta a roupa do corpo) ou tanto quanto esta, desconsiderando, obviamente, os motivos religiosos da última. Diz-se humanidade em sentido estrito, todos pelas ruas e ladeiras envolvidos por um único sentimento ou sensação, valorizando o contato interpessoal, o que chamamos de "calor humano". Não só o "calor humano", mas também a sensação de união entre as pessoas (de todo o país e outros países também): todos voltados a uma única atração, um evento, ou comovidos por um momento, e, por um momento, a sensação de "uniformidade" (diz-se assim da pacificidade e alegria entre as pessoas) transmite a todos a sensação de conforto e a (utópica) percepção de uma sociedade boa, pacífica, saudável etc.
Ao passo que, no Natal, as pessoas trocam presentes e votos de "Feliz Natal" com seus familiares e amigos (ou, no máximo, com um vizinho ou um estranho que se encontra no elevador), no carnaval olindense, as pessoas compartilham todos a mesma felicidade, talvez até uma felicidade por descobrirem que o estranho ao seu lado é tão humano quanto você, que ambos podem ser felizes dividindo o mesmo espaço sem desconfiança, inveja ou qualquer tipo de concorrência.
Vale ressaltar, quanto ao comentário acima exposto sobre bastar apenas ter a roupa do corpo para ser um folião em Olinda, que não é necessário pagar uma fortuna por um abadá (ou pela segurança, que, por sinal, foi bem prestada pelo governo estadual de Pernambuco), para se sentir envolvido numa festa contagiante, na qual todos se divertem igualmente e são conduzidos por uma sensação de bem-estar incomparável.
Sim, podemos ser humanos e exteriorizar esta nossa humanidade, e acredito que um dia seremos capazes de assim agir não somente em datas festivas, mas cotidianamente, de modo que arrancaremos dos egos alheios exclamações como: "Oh, linda sociedade!".

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