sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Pele e Ossos

Sinto-me mais humano do que nunca: dúvidas permeiam em minha cabeça e a capacidade de fazer escolhas que podem mudar minha vida (e a de outros) tornam-me mais consciente ainda disso. Não se deve cometer o erro de tentar racionalizar a sua própria vida, a sua existência, tentar entender tudo, analisar as melhores escolhas, tudo isso só vai fazer crescer dentro de você o medo de arriscar, o receio de tomar as verdadeiras decisões, de escolher o caminho que realmente queria, mas não o fez por ser o seu final incerto. Porém, todos os caminhos, até mesmo aqueles que parecem ser os mais seguros, os quais possuem os resultados mais previsíveis, ainda assim são incertos, pois, ao longo do caminho, diversas circunstâncias imprevistas poderão acontecer. Então, se todos os caminhos possuem um fim imprevisível, por que escolher tanto?

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Ideias

Devem estar em algum lugar
Talvez nas mentes alheias [não mais na minha]
No ponteiro que não para
Num lugar onde não permeiam


Estão confusas
Misturadas às salazes
Depreciadas
Esperando por liberdade


Elas querem brincar
De verdade ou consequência
Querem vir à tona
Vivenciar experiências


Querem fugir da prisão
Preencher as páginas em branco
Manchar as capas de revistas
Dar vez à expressão
  
Capazes de mudar o mundo
Mas tão longe de tudo
Querem criar retiscências 
Onde há um ponto final

Elas querem [e devem] se multiplicar
Driblar o labirinto
Penetrar nos alheios corações
Ir além das leis, fórmulas e equações

Fugir do plano abstrato
Tomar uma forma visual
Sensível ao tato
Tornar possível um sonho real

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Ju Dutra: Sociedade capitalista

Há muito nada é publicado no Mente Latente, mas isto é temporário. Digamos que o autor (eu) anda voltado para outros afazeres cotidianos (justamente aqueles tão criticados em alguns textos), porém, como dito, temporariamente. Por outro lado, resolvi publicar aqui uma produção intelectual da minha colega poetisa.


Ju Dutra: Sociedade capitalista: Pessoas pequenas, cidades grandes O capitalismo engole suas vidas e crenças. Onde estamos? O quê você acha certo fazer? Ficar tentado a comp...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Humano

Há uma diferença entre o que devo ser para sobreviver,
Preso a um ordenamento de regras,
E quem quero ser para viver,
Livre da hipocrisia

Somos vítimas do capital
Isto tornou-se uma dependência
Algo como um viral
Ilusória excelência

Rotulamos as diferenças de classes
Cultivamos o individualismo
O surgimento de um impasse
Tomou o lugar do humanismo

A nobreza que gera a fome
Concentra tamanha riqueza
Pra que tudo nas mãos de poucos homens
Se lhes falta a verdadeira nobreza?

Repartir o pão
Olhar ao lado
Sentir a aflição
Daquele desamparado

Falta ao homem lembrar
Que no peito carrega um coração
No punho, uma mão para o próximo ajudar
Estendendo a este sua compaixão!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Cadente

Numa madrugada fria
O menino sobe ao telhado
Para ver o que além da Lua havia
E depara-se com um céu pouco estrelado

Vê uma estrela cadente rapidamente passar
Singela beleza numa breve passagem
Cortante deixando sua marca no ar
O menino guardou aquela imagem


Ela tinha um brilho tão diferente
Marcante aos olhos nus
Não queria ver o sol nascente
Pois a estrela não veria no céu azul

Já não podia mais possuí-la 
Tão somente desejá-la
Esperando que ela voltasse
Um poema recitava


Ele queria ter a estrela para si
Mas ela já passou e se dissipou
Apontando para o céu pensando: "foi ali!"
O último lugar onde a avistou

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Primeira do Plural

Amamos da vida cada segundo
Perdemos noção da hora
Imaginamos um outro mundo
Estamos lá Agora

Curtimos estar lado a lado
Apreciamos um olhar de relance
Queremos um beijo extasiado
Corpos envolvidos num Nuance

Não vamos nos impor limitações
Vamos quebrar os paradigmas
Rasgar a hipocrisia das nossas razões
Viver dos prazeres seus enigmas

Amamos os instantes
Em que perdemos os sentidos
Não apenas os que ficam na estante
Mas os diariamente vividos

Queremos ser taxados de loucos
Por aqueles que não conhecem da vida a  essência
Legado nobre de tão poucos
Que carregam consigo tão valiosa vivência

Respiramos os velhos ares da juventude
Que botam nossos instintos pra fora
Que não justificam nossa inquietude
No prazer de viver que nos aflora

Desejamos os deleites da carne, da consciência e da alma
Não pensamos nas consequências futuras
Vivemos o presente que temos em nossas palmas
Condenamos a sociedade e suas usuras

Não queremos nos tornar adultos
Não queremos ser vítimas do capital
Mas, apenas viver cada minuto
De forma descomunal

Queremos dar um grito!
Ser uma pintura de aquarela
Sem seguir nenhum rito
Bebemos a alegria das cores verde e amarela

Amamos ser quem somos
Não somos o aqueles querem que sejamos
Somos aqueles que pensamos
O que aqueles não querem que sejamos

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Bono Vox - Não basta ser Popstar!

(Foto: Gabriela Pedrazzi - http://migre.me/4fMZp)

Por onde passam, os quatro integrantes da banda irlandesa U2 movem multidões de quaisquer países e estados ao seu encontro, e assim foi em suas apresentações no mês de abril, no estádio do Morumbi, em São Paulo, nas quais o grupo entoou seus maiores sucessos, os que sempre transmitem mensagens de amor, suas consequências e paradoxos da humanidade.
Por outro lado, não basta ser popstar, tem que dar o exemplo, e é isso que nós depreendemos do comportamento do vocalista Bono Vox, que sempre se inclinou a apoiar movimentos sociais a favor do acesso à assistência médica e contra a pobreza, conforme trecho do texto abaixo elaborado por Viviane Mascaro e Daniel Marcusso, colunistas do site IG:

"Durante a tarde, Bono se encontrou com o ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva e teve uma reunião com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, no prédio do Banco do Brasil, também na capital.
O principal assunto entre eles dois foi como fazer uma ponte entre a ONE, fundação da qual o cantor é um dos co-fundadores e que luta contra a pobreza e faz a prevenção de doenças, principalmente na África, com o Instituto Lula, que está sendo criado pelo político. Com Mantega, ele quis ter acesso às ações do governo brasileiro no combate contra a pobreza."
Ora, como descrever Bono se não como um verdadeiro embaixador ou diplomata universal? Sempre preocupado com problemas sociais, não só profere palavras na imprensa, mas também age altruistamente. Um "VIP" como ele poderia muito bem estar se lixando para os problemas mundiais, mas ele aproveita os holofotes para ensinar aos seus milhões de fãs/seguidores como devemos agir diante dos quadros sociais caóticos em que algumas pessoas vivem. Logo, não é possível acreditar na ideia estúpida defendida por alguns invejosos que afirmam ser Bono um demagogo, pois o cantor já chegou a um patamar do estrelismo e do sucesso patrimonial que os seus descendentes das suas próximas dez gerações viveriam no mais alto conforto.
O ponto da questão é que o vocalista não está atrelado a partido político algum, nem a nenhuma ideologia política de determinado país, mas tão somente voltado à sua ideologia altruísta. Desse seu comportamento, observamos que a natural bondade humana latente pode e deve ser despertada, principalmente se tivermos os recursos necessários (capital) e o prestígio ou reconhecimento público para efetivá-la. 
Se é verdade o que diz aquele ditado - "Se queres conhecer alguém, dai a ele o poder" - Bono, então, demonstra-se alguém que ama o próximo como a si mesmo, e leva um pouco de paz, amor, esperança e luz aos necessitados. Um verdadeiro humano!



quinta-feira, 14 de abril de 2011

Palavras Soltas

Segue abaixo um texto muito original de autoria de Bruno Montarroyos, que retrata de forma de forma simples, porém bem descritiva, o prazer e o viver:

Longe, bela, olhar, sorriso, passos, aproximação, coração, acelerado, palavras, excitação, desejo, ardendo, rostos, respiração, encontro, beijos, amassos, mãos, corpos, desnudamento, descoberta, convites, união, gemidos, encaixe, vai-e-vem, lábios, passeando, líquidos, misturando, rápido, esquentando, gritos, prazer, loucura, descontrole, som, imagem, cheiro, pele, sabor, fantasia, frenético, forte, jorrando, contraindo, explodindo, pulsando, desacelerando, relaxamento, paz, felicidade, vida, descanso, bis...

Fonte: http://querosermaishumano.blogspot.com/2011/04/palavras-soltas.html

quinta-feira, 31 de março de 2011

Mil e um quilômetros

Hoje eu vou esquecer meu terno na mesa
Não vou reparar no espelho a vaidade
Vou sair de casa sem nenhuma certeza
À procura da utópica liberdade

O meu destino será algum lugar
Que não conheço as latitudes e longitudes
Mas apenas como chegar
Passando por planícies e altitudes

No meu carro, um som levemente alto
A tocar a música preferida
Meu espelho agora é o asfalto
Que me reflete a realidade da vida

Nos cabelos, o vento
No pulso, a felicidade bombeada por adrenalina
Na memória, a eternidade de um momento
No motor, a combustão da gasolina

Sinto o cheiro dos campos verdejantes
Meus olhos refletem o calor do Sol ardente
Que me liberta da sensação agonizante
Do cotidiano livre apenas na mente

terça-feira, 22 de março de 2011

Aprendiz

Com Drummond quero entender
Os segredos dos sentimentos e da vida
Saber apreciar o viver
Ao lado da minha Querida

Quero conversar com Clarice
Para que me ensine a amar
Que arranque minhas crendices
Para com o coração pensar

Que me ensine o Mestre Neruda
Os sabores de quais frutas
Tem os prazeres da Carne desnuda
E suas sensações absolutas

Descobrir a minha Boca do Inferno
Para a Alteza saborear
Suplicar pelo perdão de um Pecado eterno
Que nesta vida ei de devorar

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Jardins

Vou voando como um beija-flor
Provando das tuas bocas o néctar
Provocando o Prazer do calor
Das minhas asas às tuas pétalas

Vivendo diversos amores
Iludo e me iludo
Saboreando os prazeres e as dores
Quero provar de tudo

Flores de verão, outono ou inverno
Exalam seus sentimentos
Conduzem-me do céu ao inferno
Dos risos aos lamentos


Mas prefiro as Copos de Leite
Que me seduzem com sua alvidez
Mergulhando num profundo Deleite
Esqueço minha completa sensatez

Ora, mas quem me dera
Voar para outros jardins
Que chegue logo a Primavera
Que dure por dias sem fins