terça-feira, 24 de julho de 2012

Copa do Mundo 2014

Bem, gente, todo mundo (até os menos instruídos) já sabe, ou ouviu falar, que as obras dos estádios de futebol para a Copa do Mundo de 2014, a ser realizada no Brasil, estão atrasadas, propositalmente, visto que, em caráter de urgência, as licitações e contratações serão realizadas de uma maneira menos formal (ou até quem sabe sem formalidade alguma, inobservando completamente as legislações pertinentes, ou pior, criando-se leis que legalizem essas possíveis falcatruas).
Há uns quatro anos, passei a ter um certo desgosto pelo futebol, começando a desacreditar na competência (ou seria, dignidade?) da administração do clube para o qual torço, e, ao passar dos anos, essa desilusão tomou proporções maiores, observando os esquemas de resultados "comprados" de partidas do campeonato brasileiro, a excedentariedade  do marketing que fazem jogadores nada carismáticos serem ídolos, a supervalorização milionária de "profissionais" chutadores de bola e, principalmente, a alienação da massa, que resume seu cotidiano a trabalhar (enriquecendo seus empregadores) e assistir um jogo no fim de semana, sem se preocupar com o seu próprio desenvolvimento como ser humano e cidadão.
Isso tudo não é culpa somente dos políticos corruptos e egoístas que mantêm esse ciclo vicioso do "pão e circo", mas também do povo brasileiro, que não procura crescer intelectualmente. Pensando bem, a culpa é toda da população mesmo, pois aqueles salafrários não estão ocupando os cargos de dirigentes do Estado por intervenção divina, mas única e exclusivamente por escolha dos eleitores, que os colocam lá, reclamam, mas não vão às ruas protestar, pois a final da Libertadores (que os prende), por exemplo, é mais importante.
Enquanto milhões de brasileiros estiverem gritando gol, políticos estarão embolsando milhões.



quarta-feira, 11 de julho de 2012

Apenas palavras: Jogar tudo pro ar?

Para não deixar o blog mais parado do que já está, indico o poema da minha amiga poetisa, Ju Dutra, que retrata aqueles momentos de incerteza e vontade de liberdade. Confiram no link:


Apenas palavras: Jogar tudo pro ar?: Eu não sei o que eu faço aqui Eu não sei quem poderia ficar por mim Deveria me revoltar e jogar tudo pro ar? Deveria jogar tudo pro ar? ...

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Igreja não é Deus

Hoje, deixarei de lado as regras para a produção de um texto dissertativo, não ignorarei a referência a mim mesmo na primeira pessoa. O texto de hoje, acredito, pede que seja bem natural na forma de escrever. Então, vamos lá.

Nos últimos dias, dois amigos e eu presenciamos uma situação tragicômica, numa festa de aniversário de um integrante de uma família evangélica, e observamos o quanto estas pessoas eram bitoladas às regras impostas de uma maneira não natural, não normal: tinham seus pensamentos e vontades limitados à uma vontade "divina". Eu percebi que, de fato, como dizem tantos estudiosos e historiadores, os textos bíblicos foram e são alterados interpretativamente para que algumas pessoas não conheçam o verdadeiro poder por trás dos escritos. E este é o poder da palavra.
Ora, tal como Jesus, que possuía o dom da palavra, a eloquência, a capacidade de comover as pessoas com a oratória, poucos homens letrados, pensadores, detentores de conhecimento, observaram o quanto a palavra é forte, mais do que as próprias armas, e se utilizaram disso para controlar seus povos, fundamentando regras com base na religião. É simples, a opressão armada, comissiva, gera revolta; a religiosa, silenciosa e "gentil", submissão passiva e comodismo. Rebeldes populares podem se revoltar contra seus dominadores, podem pretender derrubá-los, ferí-los, ambos são feito de sangue, ossos e carne. Mas, pouquíssimos foram aqueles que se rebelaram contra o desconhecido, até mesmo por um princípio lógico: pois como se poderia derrubar o desconhecido, intocável, invisível, ou seja, um "deus"? E aqueles que, corretamente, tentaram atacar às instituições religiosas foram sumariamente condenados e tidos como hereges, pois a figura, a personalidade, e as regras de Deus foram sedimentadas, interpretadas e impostas de modo que aquele comportamento não condizente para o "bem-estar social" (entenda-se da Igreja) era tido por contrário à vontade divina.
Quanto se deixou de descobrir no campo da ciência de modo geral, pois seria uma afronta a Deus explorarmos nossos limites máximos, nosso cérebro, nossas capacidades? Quanto deixamos de evoluir, até mesmo humanisticamente, por estarmos com os olhos fixados mais em Deus do que em nós mesmo e no próximo (o verdadeiro alvo do amor tão difundido por Jesus Cristo)? É sério! Tenho certeza que a humanidade mais se importou em orar, pedir e agradecer a Deus, por temê-lo, para garantir o seu próprio pão do que reparti-lo com o próximo.
Eu não acredito nessas regras da religião evangélica de que os fiéis não podem beber, não podem curtir um show, não podem "marcar o corpo" (fazer uma tatuagem), que mulheres não podem usar certas vestimentas, ou que deveriam usar algumas determinadas, e, principalmente, que devemos doar 10% (dez por cento) da nossa renda mensal.
Ora, eu acredito que a sapiência divina vai muito além disso, um deus não vai te olhar diferente dos outros por você usar uma determinada roupa, o próprio Jesus frequentava festas, bebia vinho, fazia vinho. Além disso, como eu posso doar 10% do meu rendimento, se a Receita Federal leva 27,5% todo mês? Ah, as igrejas que cobrem dos cofres públicos, não de nós. Sinceramente, o que o ensinamento do dízimos quis nos repassar foi que devemos ajudar ao próximo com uma quantia que não afete a nossa vida. Além disso, naquela época, a moeda, apesar de imposta como instrumento para a realização de negócios de compra e venda, não tinha o poder e valor que hoje, pois muitas tradições eram feitas por meio de escambo (troca de um produto por outro). A moeda foi somente um instrumento instituído com valor de compra de produtos, para que o Estado pudesse arrecadar tributos a fim de se sustentar e bancar a luxúria dos governantes. Lógico! Imagina se o Estado Romano cobrasse de cada cidadão uma galinha, uma peça de roupa ou uma jóia... os palácios romanos teriam virado galinheiros, os governantes fornicariam com galinhas, a raça humana passaria a nascer de ovos e com penas (devido ao processo de adaptação evolutiva), haveria tantas roupas que seriam usadas como papéis higiênicos pelos aristocratas e tantas jóias que seriam utilizadas nos dedos dos pés e nas partes mais estranhas do corpo, logo algum objeto comum e com poder de compra deveria ser instituído para as despesas (luxúria) do Estado fossem pagas de acordo com a necessidade.
Voltando dessa viagem, então, os 10% "aconselhados" (tô nem aí pro que o escroto do Malaquias disse se era obrigado ou não) nada mais são do que uma figura simbólica, uma metáfora, para "cada um ajuda com um pouquinho, e isso se torna um montante"! Ora, se um miserável que não tem onde cair, mas é uma pessoa de bom coração, quer ajudar outro miserável, como ele faria? Teria que assaltar para doar 10% do fruto do roubo (contrariando um dos 10 mandamentos, diga-se de passagem, inventados por Moisés), ou simplesmente uma boa ação poderia ser interpretada como os "10%"?
Por falar no Moisés, esse negócio de 10 mandamentos não pode ser seguido à risca. Eu até compreendo a "santidade" que foi atribuída a essas normas, mas acredito que elas foram pensadas e escritas pelo próprio Moisés. Antes de tudo, não se assuste. "Calma! Eu quero que você fique extremamente calmo, e confie em mim" (João Zero - O Homem do Futuro). O que quero dizer é que Moisés, ao se retirar para o Monte Sinai, o fez para poder meditar sobre leis básicas e genéricas que facilitassem a instituição da paz e da ordem no seu povo, de modo a cultuar Deus, honrar e preservar a família (sendo estes dois a base para o desenvolvimento de qualquer ser humano e sua sociedade pacífica e harmônica), e não cobiçar as coisas do próximo, guardando para si os seus desejos (uma forma de evitar a competição, a disputa e a consequente violência). Moisés tão somente, em suas orações e meditações no retiro, chegou à conclusão do que Deus consideraria como necessário para a manutenção da paz e da ordem. Sendo assim, até acredito que estes 10 mandamentos possuem uma qualidade "sagrada", visto que o seu objetivo final é o bem-estar da convivência social.
Diga-se de passagem, que não estou tentando dizer que Deus não existe, muito pelo contrário, acredito em Sua existência, sim. O que se está tentando afirmar é o absurdo escancarado das regras impostas pelas instituições religiosas que tanto atrasaram a nossa evolução, e, ainda hoje, atrasa a de algumas pessoas ou civilizações, abusando da ingenuidade das pessoas.
É inadmissível pensar num deus que mandou Moisés libertar um povo escravizado no Egito, e, nos tempos atuais, este mesmo deus não permite, em algumas religiões, que você tome uma cerveja, vá a uma festa, use determinada roupa. Ora, a restrição de liberdade imposta ao povo hebreu no Egito só se diferencia da imposta aos fiéis dessas igrejas quanto à exploração física para o trabalho braçal, pois, em suma, ambas possuem o mesmo objetivo, qual seja a submissão de muitos em prol da luxúria de poucos. Ou você pensa que o Tucson, que o pastor da sua igreja dirige, veio numa nuvem cor-de-rosa do céu, numa manhã ensolarada de domingo, com borboletas ao redor?!
Deus não é um ser que vive inatingível lá no Céu. Ainda que Jesus Cristo tenha dito "ninguém vai ao Pai senão por Mim", acredito que essa ida ao Pai depende tão somente da sua evolução espiritual. Como Jesus era o único ser evoluído psicológica e espiritualmente, capaz de entender a natureza humana, Ele tentou nos mostrar o caminho para essa evolução pessoal. Se você quer encontrar-se com Deus, olhe para dentro de si próprio, faça o bem ao próximo, acredite nas suas próprias forças. O próprio Jesus tentou ensinar isso ao apóstolo Pedro (o mais covarde de todos, pois Judas ainda foi homem o suficiente para se julgar indigno de permanecer vivendo) quando o fez andar sobre a água, mas este sequer foi capaz de acreditar que ele mesmo estava fazendo aquilo, não Jesus. O Deus que buscamos é o nosso próprio aperfeiçoamento humanístico, espiritual.
O que o Filho de Deus veio nos ensinar foi que somos capazes das coisas mais incríveis do mundo, basta alcançarmos nossa evolução máxima. Que somos acabados em nós mesmos. Que deveríamos olhar primeiro para nós, conquistarmos nosso auto-conhecimento, antes de conquistarmos o mundo e cobiçarmos sua efemeridade materialista. Só que os governantes e cleros deturparam essa verdade, omitiram os verdadeiros ensinamentos cristãos, e nos tornaram dependentes de um deus que só se alcança através daquilo que a instituição religiosa declarar que deve ser feito (e através do dízimo, lógico).
Ora, se na própria Bíblia fala que fomos criados à imagem e semelhança de Deus, partindo do pressuposto que isso seja verdadeiro, significa, então, que a divindade dotada de sabedoria e poder que tanto buscamos, para conquistarmos nossos objetivos, está dentro nós próprios, ou, pelo menos, Ele nos criou com um pouco disto, bastando, apenas, reconhecermos nossa capacidade de mudarmos a nossa vida, o nosso mundo, que temos esse poder em nossas mãos. Deus é a referência que temos quando temos nossas dúvidas, buscamos amparo, queremos respostas, pois é da nossa natureza querermos nos sentir protegidos, ou simplesmente buscarmos em algo incompreensível as respostas para perguntas, para os desafios, também incompreensíveis, mas juntos somos um só, tal como era Jesus e Ele.
Tudo o que foi feito por Deus, neste mundo, foi através do seu Filho, um homem de carne e osso, como você e eu, pois Ele queria mostrar o quão somos próximos, semelhantes, e basta, então, acreditarmos em nós mesmos, pois já somos o próprio milagre de Deus, já somos o próprio Deus, pois, se não fôssemos, Ele apareceria como um ser inimaginável gigante, radiante, imponente, com voz grossa e ecoante, e nos daria um belo sermão (como o Mufasa, nas nuvens, em "O Rei Leão"). Não, não é nenhuma prepotência da minha parte afirmar isso, pois, como dizem, Deus é onisciente e onipresente, portanto, Ele já sabia que seríamos "falhos" quando nos criou, Ele tinha e  tem a consciência do que nos tornaríamos (se bem que prefiro acreditar que ainda estamos num processo evolutivo).
Não precisamos que um grupo oligarca religioso nos diga o que devemos ou não fazer, pois somos capazes de tudo (ou quase tudo), somos semelhantes a Deus, e não seria um absurdo dizer que estamos caminhando para nos tornarmos iguais a Ele. Até lá, vamos apenas viver e sermos bons!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

STF e Sistema de Cotas em Universidades

"Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) validou nesta quinta-feira (26) a adoção de políticas de reserva de vagas para garantir o acesso de negros e índios a instituições de ensino superior em todo o país. O tribunal decidiu que as políticas de cotas raciais nas universidades estão de acordo com a Constituição e são necessárias para corrigir o histórico de discriminação racial no Brasil." (fonte - globo.com: http://migre.me/8QOt9)


Essa decisão do STF foi uma mostra escancarada da alopoiese jurídico-política do nosso país. Ora, esse "sistema de cotas" é uma demagogia da pior qualidade, é a velha tentativa de "tapar o Sol com a peneira". Que as "Vossas Excelências" do Congresso tirem os mensalões das cuecas e invistam nos ensinos fundamental e médio públicos, para que seus estudantes sejam capazes de concorrer com os demais. O sistema é tão falho que apenas as "raças" (apesar de achar esse termo preconceituoso, visto que há apenas uma: a humana) negra e indígena e a matrícula em escola pública, no ensino médio (presumindo-se a insuficiência patrimonial do candidato para pagar por um ensino de melhor qualidade), são critérios para a concorrência das vagas. E isso é facilmente "burlável", como já se teve ciência de aluno que é matriculado em colégio da rede estadual pela manhã, mas faz cursinho preparatório para o vestibular à tarde, aumentando as suas chances de aprovação nas vagas por cotas.
Nosso políticos são tão despreparados (além de corruptos) que criar um sistema desses para ingresso na faculdade é admitir a incompetência de todos os congressistas anteriores e presentes, pois está se admitindo que a principal estrutura para o desenvolvimento da sociedade brasileira é precária (se bem que tentar afirmar que a situação da educação básica não é ruim seria muita cara-de-pau). Admitem que não sabem (ou não querem) exercer as funções dos cargos para os quais foram eleitos. Esta lei é uma torta de creme jogada às nossas faces, chamando-nos de palhaços, dando-nos um falso respaldo de que negros (pobres) e indígenas podem realizar o sonho de fazer um curso superior, quando a própria quantidade de universidades (e suas respectivas vagas por cotas) é insuficiente para atender à população.
O STF, na condição sui generis de Guardião da Constituição, não deveria ter cedido à influência política, evitando essa alopoiese em que se encontram os três Poderes, e ter decidido afirmando que o direito à educação, referido no art. 6º da CF/88 - quando, na verdade, teria sido melhor alocado no art. 5º, referente aos direitos e deveres individuais e coletivos, por ser essencial à observância do Princípio da Dignidade da Pessoa Humana (fator individual contido em todos que compõem a coletividade) e sua prestação um dever do Estado - assim como qualquer outro direito, não pode ser concedido às migalhas, em partes, neste caso, oferecendo o acesso à educação de "qualidade" (pois, apesar de todas as dificuldades que enfrentam as universidades, sabemos que o nível educacional é satisfatório) apenas no ensino superior, deixando uma imensa lacuna nos ensinos fundamental e médio, comprometendo a formação do cidadão. Pois, esta se dá enquanto jovem, e é nesta que se prepara o indivíduo para a convivência social, como se fazia nas escolas da Antiga Grécia, em que se conhecia a si mesmo e o seu papel na sociedade. Todos tratados como iguais desde cedo.
Apenas a mudança na educação básica corrigirá o histórico de discriminação racial no Brasil, mas isto leva muitos anos, décadas, e o mandatos eletivos duram apenas quatro anos (e os Ministros do STF parecem estar gostando dos seus 15 minutos de fama).

quarta-feira, 25 de abril de 2012

TV Aberta Brasileira e Desabafo de Wagner Moura

Vagando pelo Facebook, eis que um amigo compartilha a seguinte mensagem, que dizem ser de autoria do ator Wagner Moura, sobre a idiotice presente no Programa Pânico na TV (atualmente "na Band"):


Palavras do ator Wagner Moura sobre o Pânico na TV, em carta aberta, divulgada no globo.com:

“Quando estava saindo da cerimônia de entrega do prêmio APCA, há duas semanas em São Paulo, fui abordado por um rapaz meio abobalhado. Ele disse que me amava, chegou a me dar um beijo no rosto e pediu uma entrevista para seu programa de TV no interior. Mesmo estando com o táxi de porta aberta me esperando, achei que seria rude sair andando e negar a entrevista, que de alguma forma poderia ajudar o cara, sei lá, eu sou da época da gentileza, do muito obrigado e do por favor, acredito no ser humano e ainda sou canceriano e baiano, ou seja, um babaca total. Ele me perguntou uma ou duas bobagens, e eu respondi, quando, de repente, apareceu outro apresentador do programa com a mão melecada de gel, passou na minha cabeça e ficou olhando para a câmera rindo. Foi tão surreal que no começo eu não acreditei, depois fui percebendo que estava fazendo parte de um programa de TV, desses que sacaneiam as pessoas. Na hora eu pensei, como qualquer homem que sofre uma agressão, em enfiar a porrada no garoto, mas imediatamente entendi que era isso mesmo que ele queria, e aí bateu uma profunda tristeza com a condição humana, e tudo que consegui foi suspirar algo tipo “que coisa horrível” (o horror, o horror), virar as costas e entrar no carro. Mesmo assim fui perseguido por eles. Não satisfeito, o rapaz abriu a porta do táxi depois que eu entrei, eu tentei fechar de novo, e ele colocou a perna, uma coisa horrorosa, violenta mesmo. Tive vontade de dizer: cara, cê tá louco, me respeita, eu sou um pai de família! Mas fiquei quieto, tipo assalto, em que reagir é pior.

” O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice ”

O táxi foi embora. No caminho, eu pensava no fundo do poço em que chegamos. Meu Deus, será que alguém realmente acha que jogar meleca nos outros é engraçado? Qual será o próximo passo? Tacar cocô nas pessoas? Atingir os incautos com pedaços de pau para o deleite sorridente do telespectador? Compartilho minha indignação porque sei que ela diz respeito a muitos; pessoas públicas ou anônimas, que não compactuam com esse circo de horrores que faz, por exemplo, com que uma emissora de TV passe o dia INTEIRO mostrando imagens da menina Isabella. Estamos nos bestializando, nos idiotizando. O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice. Amigos, a mediocridade é amiga da barbárie! E a coisa tá feia.

” Isso naturalmente não o impediu de colocar a cagada no ar. Afinal de contas, vai dar mais audiência ”

Digo isso com a consciência de quem nunca jogou o jogo bobo da celebridade. Não sou celebridade de nada, sou ator. Entendo que apareço na TV das pessoas e gosto quando alguém vem dizer que curte meu trabalho, assim como deve gostar o jornalista, o médico ou o carpinteiro que ouve um elogio. Gosto de ser conhecido pelo que faço, mas não suporto falta de educação. O preço da fama? Não engulo essa. Tive pai e mãe. Tinham pais esses paparazzi que mataram a princesa Diana? É jornalismo isso? Aliás, dá para ter respeito por um sujeito que fica escondido atrás de uma árvore para fotografar uma criança no parquinho? Dois deles perseguiram uma amiga atriz, grávida de oito meses, por dois quarteirões. Ela passou mal, e os caras continuaram fotografando. Perseguir uma grávida? Ah, mas tá reclamando de quê? Não é famoso? Então agüenta! O que que é isso, gente? Du Moscovis e Lázaro (Ramos) também já escreveram sobre o assunto, e eu acho que tem, sim, que haver alguma reação por parte dos que não estão a fim de alimentar essa palhaçada. Existe, sim, gente inteligente que não dá a mínima para as fofocas das revistas e as baixarias dos programas de TV. Existe, sim, gente que tem outros valores, como meus amigos do MHuD (Movimento Humanos Direitos), que estão preocupados é em combater o trabalho escravo, a prostituição infantil, a violência agrária, os grandes latifúndios, o aquecimento global e a corrupção. Fazer algo de útil com essa vida efêmera, sem nunca abrir mão do bom humor. Há, sim, gente que pensa diferente. E exigimos, no mínimo, não sermos melecados.

No dia seguinte, o rapaz do programa mandou um e-mail para o escritório que me agencia se desculpando por, segundo suas palavras, a “cagada” que havia feito. Isso naturalmente não o impediu de colocar a cagada no ar. Afinal de contas, vai dar mais audiência. E contra a audiência não há argumentos. Será?"
 — com Oriane de Borba.


Há muito tempo deixei de ver a programação da televisão aberta brasileira, e passei a "gastar" meu tempo com a internet, pois nesta ainda podemos fazer um "filtro" sobre notícias e entretenimento que nos interesse de fato, e com algumas séries americanas (tenho que admitir: os enlatados do Tio Sam são muito mais bem escritos e produzidos (com temas fantásticos, como Fringe, Boardwalk Empire e Game of Thrones, por exemplo) do que as produções de telenovelas brasileiras, que se resumem a um casal apaixonado e uma meretriz tentando separá-los, e com bons livros.
Já assisti, ainda que raramente, ao Programa Pânico, e concordo que algumas coisas são extremamente apelativas: cenas em que o humor inteligente e criativo dá lugar à babaquice e ao sensacionalismo barato, como a assistente de palco que teve seu cabelo raspado, fazendo-se de "vítima". O nosso povo já foi mais inteligente, como disse o jornalista Carlos Nascimento, e, como se isso não bastasse, está ficando cada vez mais cego, pois é esse comportamento que os corruptos dos Poderes Legislativo e Executivo das três searas (municipal, estadual e federal) desejam para nós, pois, assim, nos mantemos pobres e burros, ao passo que continuamos elegendo-os, e permanecemos neste ciclo vicioso.