sexta-feira, 8 de março de 2013

Está tudo "encaralhado"!

Nada mais faz sentido nesse mundo, nem mesmo esta porcaria blog que, se não fosse gratuito, certamente estaria falido. Se você parar para tentar entender quais objetivos conduzem os habitantes deste planeta, durante a jornada da vida, vai perceber que todos se resumem a uma palavra: sucesso! E esta, por sua vez, tem duas acepções - uma patrimonial e uma espiritual ou humanística -, e é a primeira que iremos tratar aqui, ou melhor, as regras e os caminhos que, teoricamente, nos conduziriam àquele.

Desde crianças ouvimos nossos pais e professores tentando nos ensinar o que é certo ou errado, que somente aquele que estuda e tira boas notas será bem sucedido, que somente com um diploma nas mãos poderemos "ser alguém". Tudo isso está errado, inclusive a didática educacional das escolas.

Ora, onde já se viu encher a cabeça dos alunos com assuntos "decorebas" (fórmulas e conceitos que são decorados exclusivamente para a realização de uma prova, que não mede conhecimento algum)? Atualmente, a preocupação com a aprovação no vestibular criou um sistema comercial de "educação" como jamais visto, e pior: paga-se caro por isso. Não só o preço das mensalidades que são caros, mas aquele que a sociedade paga na formação de um (não) cidadão. A escola atual introjeta uma série de informações praticamente inúteis na cabeça de seus alunos, que certamente serão deletadas de suas memórias após o ingresso nas faculdades e universidades, mas não fomentam sequer um milímetro cúbico de senso crítico, respeito, moralidade e consciência da convivência social - a importância do seu papel como indivíduo perante à coletividade - como pretendia Platão que a escola fosse.

Por outro lado, admitamos que o que realmente importa seja a busca pelo sucesso ou a realização profissional, observamos que uma formação acadêmica não é sinônimo de conquista desse objetivo. Essa é apenas uma das prováveis maneiras de se atingir o sucesso. Este, na verdade, está intrínseco a qualquer pessoa. Basta tomar uma decisão com uma colher de organização e uma dose de coragem e responder à seguinte pergunta: o que eu quero? Ora, vemos tantos e tantos exemplos de empresários e profissionais bem sucedidos que, sequer tendo concluído o ensino médio, quiçá um curso superior, simplesmente trabalharam, fizeram as amizades certas (sim, metade do seu sucesso é decorrente da sua "network") e tiveram paciência, foram corrigindo os erros durante a própria caminhada. Ou seja, essas pessoas simplesmente meteram a cara no mundo, e, a cada tapa levada, davam a outra face enquanto batiam, disfarçada e inesperadamente, com a esquerda.

Quanto à educação doméstica, que deveria suprir as lacunas deixadas pela escola, acaba não sendo completamente eficaz na formação do cidadão, pois os pais ensinam a seus filhos a serem bons, respeitosos e honestos uns com os outros, para que respondam ao mundo dessa forma, e acabam se sentindo reconfortados com o colo e as palavras fraternais, tomando aquelas premissas como verdadeiras. Mas, quando essas crianças se tornam adultos, percebem que o que o mundo quer é dinheiro (ou seja, sucesso), e, como "tempo é dinheiro", não se pode gastar um segundo sequer com polidez ou práticas politicamente corretas. Depois, acordam (cada um no seu tempo) daquela utopia, e se deparam com uma convivência social que deu lugar à capitalista, e notam que nesta não há espaço para os bons costumes, pois esta é um terreno hostil, uma selva que foi criada há muitos anos por aqueles citados anteriormente (os corajosos que resolveram atuar em vez de perder seu tempo com fórmulas matemáticas, pontes de hidrogênio, aceleração da gravidade, concordância verbo-nominal ou funções da mitocôndria). Muitos, assustados, se acomodam diante da rigidez, exigência e correria do dia a dia; outros reagem ao susto, aprendem rapidamente as regras do meio - percebem que, na verdade, não há e não passam de uma ficção criada por aqueles que estão no topo para que a maioria não atinja o sucesso, evitando a concorrência - adaptam-se e se tornam mais um da matilha. Essa situação é uma plena aplicação do dizer rousseauniano: "o homem é produto do meio", e este, ressalte-se, gera dois tipos básicos de produtos: os fortes e os fracos; só que apenas os primeiros sobrevivem, como dizia Darwin.

Em outras palavras, os que estão no topo da pirâmide do sistema convencionaram que o sucesso se atinge por meio da educação (até tentam passar a imagem de pessoas cultas e politicamente corretas), justamente por esta ser o caminho mais difícil e pela grande possibilidade de muitos se perderem durante a trajetória, ficando presos a um curso ou a emprego com salário certo suficiente para pagar suas contas, abdicando, assim, de atingir o sucesso patrimonial e, quem sabe - por curiosidade, hobby ou interesse de crescimento pessoal - praticar os ensinamentos da escola platônica e tentar mudar todo esse "encaralhamento" social.


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