terça-feira, 29 de abril de 2014

A falange: O poder da amizade

Viemos ao mundo, e não nos é dada a possibilidade de escolher onde nasceremos (desculpem-me os espíritas), com quem conviveremos em nosso lar, mas nos é dada a liberdade (talvez nem seja por liberdade em si, mas por necessidade intrínseca à natureza humana) de quem teremos como amigos. Ah ... a amizade! Definida pelos gregos (e também creditada sua origem ao latim) como variação da palavra "amore", mas não acredito que seja uma variação desta, mas, sim, sua essência. A amizade surge apenas por pura e simples afinidade, e assim permanece ao longo dos anos, do passar do tempo, e, mesmo que a distância paire entre os amigos, quando estes se reencontram, é como se nunca tivesse havido o hiato na convivência. Já o amor, entre um casal (seja formado por homem e mulher, dois homens ou duas mulheres), requer aquela constante tentativa de fazer a coisa dar certo, e, quando há o "hiato" na convivência, seguido da volta do relacionamento, torna-se necessário aquele velho cortejo, que ilude ambas as partes de que as coisas serão diferente por agora a diante. Mas, entre amigos, isso não é necessário, e, por isso, amizade é o amor puro em si! A amizade é constituída de honra e moral, digo a verdadeira amizade (não aquela convivência entre pessoas que existe apenas enquanto você é "o rei do camarote" e banca a cachaça e as raparigas para todos ao seu redor), e pessoas íntegras possuem estas características desde o nascimento, independentemente da criação e classe social. Havendo apenas aqueles dois atributos entre os amigos, a amizade perdurará por toda sua vida, quiçá pela eternidade, por que a união, a proximidade, já foi feita pela pura e simples afinidade. Amigos de verdade estão presentes nos melhores e, principalmente, piores momentos. Vejamos os espartanos, que diante da ofensiva promovida por Xerxes, além da ideia de preservação de sua família e sociedade, o principal fator motivacional, no momento da luta, era o amigo ao lado que estava dando a vida pelos demais (a amizade era tão grande que chegava ser confundida com homossexualismo - isso mesmo, a relação entre pessoas do mesmo sexo não era uma exclusividade ateniense - mas, ainda assim, não os tornava menos honrados, nem menos amigos). Amizade é um sentimento intrínseco à humanidade, uma vontade de buscar nos demais o nosso reflexo, alguém para olharmos e termos certeza de que somos plenos.